O ENSINO DE MATEMÁTICA EM CONTEXTOS DE MIGRAÇÃO

INTERSECCIONALIDADES CURRICULARES E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS CONTRA-HEGEMÔNICAS

Autores

  • DOUGLAS MANOEL ANTONIO DE ABREU PESTANA DOS SANTOS UNIFESP

Palavras-chave:

Educação Matemática. Migração Forçada. Justiça Cognitiva. Inclusão Intercultural.

Resumo

Este artigo analisa, sob uma perspectiva crítica e anticolonial, os desafios epistemológicos e políticos do ensino de Matemática em contextos de migração forçada, com base em uma investigação qualitativa de natureza documental. A pesquisa se fundamenta na análise de documentos institucionais, legislações educacionais e materiais curriculares aplicados em escolas públicas brasileiras situadas em regiões urbanas periféricas que recebem estudantes migrantes. A partir de uma leitura crítica das práticas educativas registradas nos documentos, evidencia-se que a ausência de políticas formativas fundamentadas na interculturalidade crítica, aliada à hegemonia de um currículo matemático eurocentrado, perpetua lógicas de exclusão e epistemicídio. Em contrapartida, experiências registradas em registros oficiais, planos de aula e diretrizes escolares revelam que abordagens pedagógicas que incorporam saberes originários, linguagens visuais e referências socioterritoriais possuem potência subversiva diante do paradigma excludente dominante. Conclui-se que o ensino de Matemática, neste cenário, deve ser ressignificado como um campo de disputa ética e política, comprometido com a escuta ativa das experiências migrantes e com a promoção de justiça cognitiva em contextos de alta vulnerabilidade social.

 

 

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Publicado

2026-03-24

Edição

Secção

Artigos Originais